A bichectomia ou lipoplastia facial é uma cirurgia normalmente procurada pelo paciente com uma finalidade estética, que é afinar ou delimitar a face. No entanto, também existem fins funcionais para ela, como é o caso de pacientes que costumam morder as bochechas constantemente por ter pouco espaço na boca. Em ambos os casos, o procedimento cirúrgico é realizado para retirar parcialmente as bolas de Bichat (o corpo adiposo das bochechas). Assim como qualquer cirurgia intra-oral, a bichectomia pode apresentar alguns riscos funcionais quando não é realizada por um profissional especializado e experiente nessa técnica. Conversamos com a especialista em Odontologia Estética Kalina Diniz para entender o que pode acontecer.

O procedimento: como a bichectomia é feita no paciente

Segundo Kalina, o paciente recebe anestesia local e em seguida o profissional procura as marcas anatômicas no interior da boca que indicam as bolas de Bichat. É feita uma incisão (em média não passa de 2 centímetros) por onde é retirado parte do corpo adiposo das bochechas com o auxílio de porta pinças. Após a retirada dessas bolas é feita uma sutura no local. “Essa remoção é um procedimento irreversível. Ela faz com que as bochechas fiquem menores, resultando em uma aparência da face mais fina e delimitada”, diz a profissional.

Realizar a cirurgia com um profissional especializado reduz riscos

As bolas de Bichat ficam perto de duas ramificações do nervo trigêmeo, o ramo maxilar (maxilar superior) e o ramo mandibular (maxilar inferior). O trigêmeo, por sua vez, é um nervo sensitivo que controla as sensações da face como mensagens ao cérebro humano. Se o profissional não for experiente, pode acontecer de danificar o nervo e isso causar uma paralisia facial no paciente. Por isso, é importante que a operação seja feita por um profissional que tenha muito conhecimento da anatomia e que saiba lidar com as complicações.

Os riscos da bichectomia: o que pode acontecer após o procedimento?

Levando em conta uma visão geral, Kalina explica que a cirurgia oferece riscos como qualquer outra. Entre eles, podemos destacar alguns como infecção, sangramento, hematomas, lesão nervosa e no ducto da parótida (canal da saliva). “Apesar de ser uma cirurgia rápida, é feita em local nobre, próximo a muitas glândulas, nervos e artérias que são estruturas importantes da face, podendo causar lesões na região”, diz a profissional.

O risco mais severo, sem dúvidas, é a paralisia facial. No entanto, a bichectomia também pode comprometer a estrutura dentária ou o ramo maxilar e mandibular do paciente, embora estes acontecimentos possam ser diminuídos praticamente a zero risco, quando a cirurgia é feita por um profissional capacitado e conhecedor das estruturas anatômicas.

Quem pode fazer a bichectomia: saiba quais são as restrições do procedimento

De acordo com a dentista, as restrições são bem parecidas com outras cirurgias intra-orais. Pacientes submetidos a radioterapia ou quimioterapia, com infecções locais os sistêmicas, trismo (incapacidade de abrir a boca), cardiopatias severas, pacientes deficientes de fatores de coagulação, problemas hepáticos e renais graves não devem fazer a bichectomia. Além disso, a lipoplastia facial também não pode ser realizada em menores de idade, grávidas e pacientes com dismorfia corporal.

“Por isso a importância de fazer uma boa anamnese (avaliação do histórico e sintomas ditos pelo paciente) antes e solicitar alguns exames laboratoriais como hemograma completo, coagulograma e glicemia, antes de fazer o procedimento”, esclarece Kalina. Caso o paciente seja hipertenso, a profissional diz que também é necessário que o paciente passe pela avaliação de um cardiologista.

Este artigo tem a contribuição do especialista:
Kalina Diniz – Dentística e Odontologia Estética
São Paulo – SP
CRO-SP: 110560